
Pode parecer estranho, mas a ciência mostra que a forma como você ganha ou perde peso não depende só de calorias ou genética — seu intestino pode estar desempenhando um papel central.
A microbiota intestinal, aquele conjunto de bactérias que vive dentro de você, não serve apenas para digestão. Ela regula processos que influenciam diretamente no metabolismo, na forma como usamos carboidratos e até no acúmulo de gordura corporal.
Quando você come vegetais e fibras, parte deles não é digerida mecanicamente. É aí que entram as bactérias intestinais: elas fermentam essas fibras e produzem substâncias chamadas ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs).
Pense nos AGCCs como uma energia bônus criada a partir do que seria “inútil” para nós. Um dos mais estudados é o butirato, que tem efeitos impressionantes. Estudos mostram que ele pode chegar ao fígado e ser convertido em beta-hidroxibutirato, uma das cetonas produzidas durante a dieta cetogênica, conhecida por promover emagrecimento e benefícios metabólicos.
Referência: Gao, Z. et al. Butirato melhora a sensibilidade à insulina e aumenta o gasto energético em modelos animais. Diabetes, 2009.
Esses ácidos graxos não apenas fornecem energia, mas também sinalizam a liberação de hormônios, como o PYY (Peptídeo YY).
O PYY funciona como um tráfego inteligente para a glicose:
Referência: Chambers, E.S. et al. Suplementação de ácidos graxos de cadeia curta melhora a sensibilidade à insulina em humanos. Nature Communications, 2018.
A diversidade da microbiota intestinal é fundamental. Quanto maior a variedade de bactérias benéficas, mais flexível será seu metabolismo e melhor o corpo lidará com carboidratos.
Um estudo comparou indivíduos que consumiam alta fibra versus aqueles que receberam infusão direta de AGCCs no intestino. O resultado foi surpreendente: os efeitos metabólicos foram os mesmos, melhor uso da glicose, aumento do GLP-1 (hormônio que melhora a sensibilidade à insulina) e ativação da AMPK (enzima que ajuda a queimar energia).
Referência: Canfora, E.E. et al. Infusão intestinal de ácidos graxos de cadeia curta modula a sensibilidade à insulina em humanos. Gut, 2015.
Seu peso, sua glicemia e a forma como seu corpo lida com carboidratos não dependem apenas do que você come, mas também de quem mora dentro de você: suas bactérias intestinais.
Cuidar da saúde intestinal é cuidar do metabolismo, da energia e até do controle da saciedade.
Ou seja: um intestino saudável pode ser a peça que faltava no quebra-cabeça do emagrecimento.